Crime na Amazônia
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Bem-vindo à Amazônia
De todos os estados amazônicos, o Pará é o que mais sofreu o impacto da atividade madeireira. O estado é o maior produtor de madeira amazônica e já perdeu uma área de floresta equivalente à Áustria, Holanda, Portugal e Suíça.

A história do Pará repete-se pela Amazônia afora. É uma história de crescimento desenfreado aonde os madeireiros exploram a terra, destróem a cobertura florestal e abrem caminho para a ocupação por pecuaristas e grandes fazendeiros. Durante o período mais intenso de exploração, espécies madeireiras valiosas como mogno e cedro alimentam a destruição, mas a exaustão dos estoques logo dá lugar à exploração de espécies mais baratas. Quando o ciclo madeireiro chega ao fim, a terra está transformada em solo pouco fértil ou pasto, oferecendo reduzidas oportunidades econômicas para as comunidades.

Por trás desse sistema, está presente um estado sem lei, no qual a invasão e ocupação de terras públicas estão conectadas à violência e morte. O Pará apresenta os maiores índices de assassinatos ligados a conflitos de terra no Brasil - e estes crimes quase nunca são investigados. Na medida em que os habitantes tradicionais da floresta, que dependem da terra para caçar, pescar e cultivos de pequena escala são expulsos de seu território, o abismo entre ricos e pobres no Pará aumenta.

Nas áreas remotas e inacessíveis da floresta, o desmatamento está frequentemente associado ao trabalho escravo. Trabalhadores são iludidos com promessas de empregos decentes no campo e acabam presos em dívidas, trabalhando em condições perigosas e subhumanas sem receber salário. Alguns dos que tentam escapar podem acabar mortos.

A variedade de métodos de falsificação de títulos fundiários que permite que madeireiros e outros se apropriem de áreas de floresta chama-se grilagem. A grilagem é possível graças à confusão que caracteriza a questão fundiária na Amazônia brasileira. Quase não há fiscalização por parte das autoridades fundiárias. Os madeireiros exploram esse vácuo legal e burocrático usando uma mistura de grilagem e força física.

A disputa por terras e floresta acontece hoje em duas fronteiras - chave no oeste do Pará - a Terra do Meio e Porto de Moz. Um assalto à floresta está em curso - e a polícia federal tem ¼ da força que tinha há 20 anos. Com a conivência de aliados politicos, empresas que se aproveitaram das brechas legais e burocráticas para confiscar terras públicas estão à frente do problema.

Na tentativa de deter as ameaças às suas terras tradicionais, as comunidades locais estão unindo forças e propondo a criação de reservas extrativistas, áreas protegidas por lei e destinadas à conservação e uso sustentável pelos comunitários. A criação das reservas "Verde para Sempre" e "Renascer" enfrenta a oposição ferrenha de interesses politicos e madeireiros, especialmente desde que 400 comunitários protestaram em 2002 bloqueando a navegação de balsas carregadas de madeira ilegal.

O Greenpeace investigou e documentou vários casos de extração ilegal e predatória de madeira. Madeireiros que já devastaram grandes trechos de floresta estão solicitando ao governo autorização para explorar novas áreas, argumentando que suas atividades geram empregos e contribuem para o desenvolvimento econômico de regiões como o Pará. Pressionados por estes interesses poderosos, os governos estadual e federal estão discutindo um novo sistema de concessões.



Nós acreditamos que o futuro do Pará reside em um novo modelo social e econômico, baseado no uso sustentável da floresta combinado com uma rede de áreas protegidas. Empresas madeireiras comprometidas com operações legais, sustentáveis e certificadas têm um lugar nesse futuro. Já a sociedade deve concentrar esforços para levar o poder público e justiça social e ambiental para a Amazônia. O governo federal brasileiro e os governos estaduais, contando com a cooperação internacional, devem fortalecer as comunidades tradicionais e outros povos da floresta e torná-los agentes centrais do desenvolvimento econômico e da proteção ambiental na Amazônia.

Você pode ajudar a proteger a Amazônia e apoiar os projetos ambientalmente sustentáveis das comunidades enviando uma mensagem para os governos federal e do estado do Pará, em favor da criação das reservas extrativistas Verde para Sempre e Renascer.

Saiba mais sobre o trabalho escravo e a pilhagem da floresta Amazônica por parte de madeireiros e fazendeiros da região no relatório Pará, estado de conflito: Uma investigação sobre grileiros, madeireiros e fronteiras sem lei do estado do Pará, na Amazônia (pdf)
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