|
|
Greenpeace
soa o alarme durante votação da proposta de alteração
do Código Florestal
Ativistas
da organização ambientalista são detidos pela segurança
do Senado Federal depois de soarem alarme contra o aumento da destruição
das florestas do Brasil
Brasília/DF,
05 de setembro de 2001
Ativistas do Greenpeace foram detidos hoje pela segurança do Senado Federal,
em Brasília (DF), durante protesto contra a votação da proposta de alteração
do Código Florestal Brasileiro, apresentada pelo Deputado Moacir Micheletto
(PMDB-PR) e defendida pela bancada ruralista. O protesto, realizado no
Dia da Amazônia, interrompeu por cerca de 20 minutos os trabalhos da Comissão
Parlamentar Mista do Senado (1), atrasando a votação (2).
Ativistas da organização ambientalista se algemaram a cadeiras e soaram
um alarme, para denunciar que a proposta do deputado Micheletto provocará
um aumento da devastação das áreas florestais do País. Na faixa de protesto
lia-se: “DESMATAMENTO NÃO!”.
O Greenpeace defende o atual texto da MP (2) como base de discussão para
as mudanças que vão resultar na nova lei florestal do País. “Não há o
que negociar na proposta do executivo (3), pois o texto atualmente em
vigor é o mínimo ambientalmente aceitável”, disse Flávio Montiel, assessor
político do Greenpeace.
Se aprovada, a proposta defendida pelos ruralistas permitirá o desmatamento
de até 80% das áreas de vegetação natural de propriedades brasileiras.
Além disso, a proposta do deputado Micheletto baseia-se no argumento de
que o desenvolvimento econômico das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil
só será possível com a pecuária extensiva e a abertura de novas áreas
para monocultura - como o plantio da soja e algodão.
O
Greenpeace tampouco concorda com a proposta recentemente formulada pela
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) de permitir
uma proporção maior de desmatamento para as propriedades abaixo de 200
hectares. Embora concorde com a CONTAG quanto à necessidade de se criar
políticas de apoio ao pequeno agricultor, “alterar a legislação ambiental
não vai resolver a dificuldade de acesso ao crédito agrícola para eles”,
afirma Montiel. A proposta do executivo foi longamente negociada entre
a sociedade civil, o executivo federal e estaduais no CONAMA, o Conselho
Nacional de Meio Ambiente. Por isso, diz Montiel, “a proposta do governo
federal representa a vontade da sociedade brasileira em compatibilizar
um modelo de desenvolvimento agropecuário com a conservação dos recursos
naturais para as gerações futuras”.
Notas:
(1) A votação do novo parecer do deputado Moacir Micheletto para o Código
Florestal estava inicialmente prevista para ontem (04/09). O deputado
Fernando Gabeira (PT-RJ) e a senadora Marina Silva (PT-AC), no entanto,
pediram vista ao processo, atrasando a votação em 24 horas.
(2) A proposta do deputado Moacir Micheletto foi votada quase duas horas
após o protesto, tendo sido aprovada pela Comissão Parlamentar Mista.
Foram 13 votos a favor, 1 abstenção e 2 votos contra. Os 2 votos contrários
foram os do deputado Fernando Gabeira (PT-RJ) e da senadora Marina Silva
(PT-AC). As alterações do Código Florestal Brasileiro deverão ainda ser
votadas em plenário. (3) O texto em vigor foi amplamente discutido no
Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), no início do ano passado,
em mais de 30 reuniões de trabalho em 20 diferentes estados, e contou
com a participação de mais de 730 diferentes setores da sociedade.
(4) Os percentuais que devem ser protegidos em cada propriedade ou imóvel
rural variam de acordo com as regiões do País. Pela atual MP, este percentual
é de 80% nas áreas de florestas da Amazônia, 35% para o Cerrado da Amazônia
Legal e 20% para as demais regiões do País.
(+)
veja mais notícias
|