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"Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os
peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão
o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra.
Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição.
Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris."
Profecia feita há mais de 200 anos por "Olhos de Fogo", uma velha índia Cree.
Esta profecia embalou as longas noites dos fundadores do Greenpeace que navegavam para as Ilhas Aleutas,
no Alasca, em 1971, na tentativa de impedir um teste nuclear dos Estados Unidos. Ela não só iria dar nome
ao primeiro navio da organização, o Rainbow Warrior, como acabou por batizar os ativistas do Greenpeace -
conhecidos em todo o mundo como "Os Guerreiros do Arco-Íris".
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Salve as baleias
Em 1975, o Greenpeace iria lançar a campanha que se transformaria
num ícone de luta da organização. Ironicamente, as táticas foram
inspiradas nas usadas pelos franceses para atrapalhar a ação
do "Vega" em Moruroa: o emprego de botes infláveis, chamados
de "zodiacs". Há muitos anos havia uma grande preocupação com
a caça comercial não controlada às baleias. Várias espécies
estavam perigosamente ameaçadas de extinção.
A Comissão Baleeira Internacional Baleeira (IWC - International Whaling Commission), fundada em 1946 para
conter a superexploração dos estoques, acabou por ser instrumento dos maiores excessos da história da caça
às baleias.
Em 1972, a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano convocou os países envolvidos na questão
a adotar uma moratória de dez anos no comércio baleeiro. A determinação foi completamente ignorada. O Greenpeace
decidiu comprar briga diretamente com os baleeiros, baseando seus planos de ação nas imagens dos franceses
cercando o "Vega" com botes infláveis. A idéia era simples: utilizar zodiacs para bloquear a linha de fogo
dos caçadores de baleia. Eles se posicionariam exatamente entre as baleias e os arpões.
O alvo da primeira missão foi uma frota soviética que caçava baleias no Pacífico Norte. Ao encontrar a frota,
o barco do Greenpeace - o mesmo "Phyllis Cormack - decidiu enfrentar um navio baleeiro que perseguia três baleias.
Quando um dos zodiacs se colocou na linha de tiro, um arpão passou voando sobre a cabeça dos tripulantes do bote,
atingindo o alvo: uma enorme baleia.
A filmagem do arpão sendo disparado tão perto dos militantes
do Greenpeace apareceu no noticiário das principais redes de
TV mundiais e se tornou a imagem definitiva da campanha. Em
1982, a IWC aprovou moratória por tempo indeterminado na caça
comercial de baleias; em 1994, declarou o Oceano Austral um
"santuário das baleias." |
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