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"Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris."

Profecia feita há mais de 200 anos por "Olhos de Fogo", uma velha índia Cree.

Esta profecia embalou as longas noites dos fundadores do Greenpeace que navegavam para as Ilhas Aleutas, no Alasca, em 1971, na tentativa de impedir um teste nuclear dos Estados Unidos. Ela não só iria dar nome ao primeiro navio da organização, o Rainbow Warrior, como acabou por batizar os ativistas do Greenpeace - conhecidos em todo o mundo como "Os Guerreiros do Arco-Íris".

Projeto Exodus

Nos 10 anos que se seguiram à sua formação, o Greenpeace continuou a crescer. A organização abriu escritórios na Europa e América do Norte, ampliando seu leque de campanhas para incluir a luta contra a poluição tóxica. Mas o evento que ampliou enormemente a influência do Greenpeace ocorreu em 1985, com o afundamento do "Rainbow Warrior".

Em fevereiro de 1978, a organização comprou uma traineira de 23 anos chamada "Sir William Hardy", com a ajuda do WWF- World Wildlife Fund (Fundo Mundial para a Natureza). Depois de meses de reforma, o barco ganhou novo nome: "Rainbow Warrior", referência direta à profecia dos índios Cree descoberta por Robert Hunter na viagem para Amchitka em 1971. A embarcação iria apresentar uma longa folha corrida de serviços ao meio ambiente nos anos seguintes.

Em 1985, o "Warrior" navegou para o Atol de Moruroa, para protestar contra testes nucleares franceses. Após fazer uma escala em Honolulu, para embarcar o fotógrafo Fernando Pereira, o "Warrior" partiu para o atol de Rongelap, nas Ilhas Marshall, no Pacífico, onde o Greenpeace se envolveu no que seria conhecida como "Operação Exodus".

Entre 1946 e 1958, Rongelap havia sido contaminado por poeira radioativa de vários testes nucleares atmosféricos norte-americanos e, como resultado, seus habitantes apresentavam altos índices de câncer na tireóide e leucemia. O número de crianças nascidas com defeitos congênitos era alarmante.

Apesar das garantias apresentadas pelos Estados Unidos, os habitantes de Rongelap estavam convencidos de que era inviável viver na sua terra natal. Informado de que o "Rainbow Warrior" iria para o atol, o senador Jeton Anjain, membro do Parlamento das Ilhas Marshall, apresentou ao Greenpeace uma proposta radical: que o barco evacuasse toda a população para uma ilha mais segura chamada Mejato, a 190 km de distância.

O "Warrior" chegou em Rongelap em 17 de maio de 1985 e a tripulação ajudou os insulares a desfazer seus lares e a levar todos os seus pertences para bordo - cerca de 100 toneladas de material e equipamentos. Foram quatro viagens a Mejato num período de 10 dias. Em 30 de maio a operação estava completa, com todos os 100 moradores de Rongelap realojados em Mejato. As fotos de Fernando Pereira sobre a missão correram o mundo.



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