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"Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris."

Profecia feita há mais de 200 anos por "Olhos de Fogo", uma velha índia Cree.

Esta profecia embalou as longas noites dos fundadores do Greenpeace que navegavam para as Ilhas Aleutas, no Alasca, em 1971, na tentativa de impedir um teste nuclear dos Estados Unidos. Ela não só iria dar nome ao primeiro navio da organização, o Rainbow Warrior, como acabou por batizar os ativistas do Greenpeace - conhecidos em todo o mundo como "Os Guerreiros do Arco-Íris".

O Afundamento do "Rainbow Warrior"



Ao terminar a missão em Mejato, o "Warrior" navegou para Auckland, na Nova Zelândia, para abastecimento, antes de retornar ao local dos testes franceses. O barco nunca chegaria a Moruroa. Em 10 de julho de 1985, duas explosões racharam seu casco no cais do porto de Auckland. O navio afundou e o fotógrafo do Greenpeace, Fernando Pereira, morreu.

Logo ficou evidente que as explosões eram um ato de sabotagem. As atenções se voltaram para a França. Dois suspeitos, agentes do Serviço Secreto francês, foram presos pela polícia de Auckland e, nas semanas seguintes, cresceram as evidências de que a decisão de colocar as bombas no "Rainbow Warrior" tinha sido tomada no mais alto escalão do Governo francês.

Um inquérito oficial em Paris isentou o governo de culpa. No entanto, em setembro, o Ministro da Defesa da França, Charles Hernu, pediu demissão, admitindo cumplicidade.

A crise parecia levar à renúncia do próprio presidente francês, François Mitterrand, quando o primeiro-ministro, Laurent Fabius, admitiu que o atentado fora executado pelo Serviço Secreto. Alegou, no entanto, que a decisão foi ocultada das autoridades governamentais.

A verdade sobre toda a real extensão do envolvimento do Governo francês no atentado ao "Rainbow Warrior" nunca veio a público. Além de suas trágicas conseqüências - para Fernando Pereira, que perdeu a vida, e para o Greenpeace, que perdeu seu barco - a criminosa ação do Serviço Secreto francês revelou o crescente papel do Greenpeace no cenário internacional. Longe de se abater, a organização iria se expandir numa escala impressionante nos anos seguintes.




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