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08-05-2004 - Paranaguá Greenpeace evita contaminação por transgênicos: navio deixa Paranaguá sem carregar Ativistas impedem carregamento de soja no navio Global Wind, ao qual se acorrentaram na segunda
Após cerca de 20 horas de protesto – desde às 23h40 de sexta-feira até a noite deste sábado – ativistas do Greenpeace conseguiram impedir que o navio Global Wind, carregado com soja transgênica, completasse seu carregamento com soja convencional no Porto de Paranaguá, no Paraná. Durante as 20 horas, os ativistas ocuparam a área de carregamento e mantiveram uma faixa com os dizeres “Paraná Livre de Transgênicos” no shiploader (equipamento que faz a transferência da soja do porto para o navio) do Global Wind. A manifestação foi encerrada quando o navio deixou o Porto de Paranaguá sem o carregamento que pretendia fazer.
O Global Wind está carregado com 30 mil toneladas de soja transgênica da empresa Bunge da Argentina e pretendia embarcar mais 10 mil toneladas de soja convencional da Fertimport, subsidiária da Bunge, em Paranaguá. “Hoje nós conseguimos manter a soja paranaense convencional livre da contaminação”, disse Mariana Paoli, coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace. “Mas a Bunge ainda não se comprometeu a adotar medidas para evitar a contaminação deliberada”, complementou. A ação em Paranaguá é parte da expedição “Brasil Melhor sem Transgênicos”, que o Greenpeace vem realizando desde meados de abril a bordo do navio Arctic Sunrise.
Paranaguá é o principal porto brasileiro a implementar medidas efetivas para controlar as cargas e manter as exportações de soja livres de contaminação transgênica. O Estado do Paraná, segundo maior produtor de soja no Brasil, proibiu no final do ano passado o cultivo, processamento, comercialização, transporte e exportação de soja transgênica em seu território e nos portos de Paranaguá e Antonina.
O Brasil tem todas as condições de atender à crescente demanda por produtos não transgênicos no mercado internacional, especialmente da União Européia, onde passou a vigorar no mês passado a nova regulamentação de rotulagem de transgênicos. “O governo federal ainda não tomou nenhuma medida para prevenir a contaminação transgênica”, avalia Mariana. O Greenpeace demanda que o governo federal apóie os esforços do governo do Paraná e do Porto de Paranaguá em manter-se livre de transgênicos e que iniciativas como a do Paraná sirvam de exemplo para os demais Estados brasileiros.
Na segunda-feira passada, os ativistas do Greenpeace tentaram impedir a chegada do Global Wind no Porto de Paranaguá, se prendendo à âncora do navio. Devido ao mau tempo e aos fortes ventos que atingiram o local, os ativistas tiveram que interromper o protesto por motivo de segurança. Como conseqüência, durante a madrugada, o Global Wind deixou a área onde estava fundeado e retornou para tentar completar seu carregamento nesta sexta.
O Greenpeace continuará lutando para que a soja transgênica vinda de outras partes do Brasil e do mundo não contamine o principal porto garantidamente não transgênico do país. Apesar de o governo brasileiro ter autorizado o plantio da soja transgênica no ano passado, nenhuma medida foi tomada a fim de garantir a documentação e informação previstas nas legislações nacional (1) e internacional (2).
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NOTAS
(1) Decreto 4680, de 24 de abril de 2003, e Portaria 2658, de 22 de dezembro de 2003.
(2) O Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, sob a Convenção de Diversidade Biológica das Nações Unidas (CDB), estabelece padrões mínimos de segurança no transporte de transgênicos entre países. O documento já foi assinado pelo Brasil e mais 90 países. Em fevereiro, a primeira reunião dos países-membro do protocolo determinou o requerimento de documentação mais detalhada e rotulagem de organismos geneticamente modificados. A documentação incluída no transporte entre os países terá que incluir “nomes comuns, comerciais e científicos” dos organismos transgênicos transportados pelo navio, bem como seu código de evento de transformação ou, quando possível, “um único código identificador”.
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