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12-05-2004 - Itália Greenpeace bloqueia descarregamento de soja na Itália
60 horas após abordar o navio panamenho Keoyang Majesty, com um carregamento de 40.000 toneladas de farelo de soja transgênica argentina, 18 ativistas do navio Esperanza do Greenpeace bloquearam hoje o descarregamento da soja em Chioggia, no Sul da Itália. “Os consumidores italianos não querem soja transgênica contaminando nossos alimentos. O Greenpeace demanda o fim das importações de soja transgênica para a Itália”, disse Federica Ferrario, integrante do Greenpeace Itália a bordo do navio Esperanza.
A polícia italiana e as autoridades portuárias providenciaram para o Greenpeace a documentação da carga do navio, a fim de verificar o cumprimento da legislação européia de rotulagem e rastreabilidade, que acabou de entrar em vigor (1). Entretanto, a documentação não fornece nenhuma informação sobre os organismos transgênicos do carregamento. O Greenpeace continua a exigir das autoridades competentes o cumprimento da nova legislação e prover a toda a população informações detalhadas. A organização ambientalista retirou amostras do farelo para testar.
O Keoyang Majesty é procedente da Argentina e está transportando farelo de soja transgênica para ser usada em ração animal pelas companhias multinacionais Bunge e Cargill. A Itália importa anualmente 4,2 milhões de toneladas de soja para alimento e ração animal, das quais estima-se que mais de 3 milhões sejam transgênicas ou contaminadas com transgênico.
PELO MUNDO
O Greenpeace iniciou uma campanha mundial contra os alimentos transgênicos. Muitos carregamentos que podem estar contaminados com soja transgênica estão sendo alvo nos portos ao redor do mundo.
O navio Arctic Sunrise está em águas brasileiras desde meados de abril realizando a expedição “Brasil Melhor sem Transgênicos”. “Durante a ação dos inspetores de biossegurança do Greenpeace no porto de Rio Grande (RS) e de Paranaguá (PR) percebemos que o Brasil não está identificando as cargas de soja transgênica de acordo com as leis nacional (2) e internacional (3)”, disse Ventura Barbeiro, da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Brasil. “Permitir a contaminação de nossa soja convencional e não identificar a soja transgênica pode causar perda de vantagens comerciais para o Brasil”, completou.
Na Argentina, a situação é preocupante. “A Argentina está determinada a produzir soja transgênica para alimentar porcos, vacas e galinhas do primeiro mundo. Quase toda a produção argentina é transgênica. O que sobrou de nossas florestas nativas estão sendo convertidas em soja transgênica. Já é hora de parar este pesadelo ambiental e social na Argentina”, disse Daniela Montalto, argentina integrante do Greenpeace Internacional, que está a bordo do navio Esperanza.
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(1) De acordo com as novas regras européias de rastreabilidade e rotulagem de produtos geneticamente modificados que entrou em vigor três semanas atrás, o “nome comum, cientifico e comercial” dos organismos geneticamente modificados” dos organismos transgênicos do carregamento, assim como os seus “códigos de transformação” ou, quando disponível, os seus “códigos de identificação únicos” devem estar disponível na documentação da carga. O Greenpeace não teve acesso a nenhuma descrição dos organismos transgênicos da carga.
(2) Decreto 4680, de 24 de abril de 2003, e Portaria 2658, de 22 de dezembro de 2003.
(3) O Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, sob a Convenção de Diversidade Biológica das Nações Unidas (CDB), estabelece padrões mínimos de segurança no transporte de transgênicos entre países. O documento já foi assinado pelo Brasil e mais 90 países. Em fevereiro, a primeira reunião dos países- membro do protocolo determinou o requerimento de documentação mais detalhada e rotulagem de organismos geneticamente modificados. A documentação incluída no transporte entre os países terão que incluir “nomes comuns, comerciais e científicos” dos organismos transgênicos transportados pelo navio, bem como seu código de evento de transformação ou, quando possível, “ um único código identificador”.
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