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Diário

03.08.05 - Castelo dos Sonhos (PA) – Guarantã do Norte (MT)

Levantando poeira...

Depois da visita ao acampamento dos sem-terra, nos preparamos para deixar Castelo dos Sonhos rumo ao Mato Grosso. Na saída do hotel, o gerente recebe um telefonema. Era alguém perguntando por nós. Provavelmente o pessoal de Novo Progresso ou de Morais Almeida estaria avisando os madeireiros de Castelo dos Sonhos sobre nossa presença e poderíamos ter problemas. De qualquer modo, já estamos mesmo de partida.

Nas margens da estrada, após algum tempo, a destruição começa a parecer menor. Talvez tenha sido o trecho mais preservado por que passamos. Ao meio-dia, passamos pelo ponto médio da estrada, onde a distância para Cuiabá e Santarém é a mesma. Ali está colocada uma placa inaugural, datada de 20 de outubro de 1976. No mesmo local há uma cachoeira, o Salto do Curuá, com 40 metros de altura. Paramos 15 minutos para admirar a queda e tomar um banho bem gelado.

A partir desse ponto a paisagem às margens da estrada começa a se transformar radicalmente. Passamos por uma área de transição, até ingressarmos em um trecho onda a mata era bem mais baixa, uma espécie de savana, também conhecida como cerradão. Essa vegetação se deve ao tipo de solo dessa área, mais arenoso e ácido. O chão arenoso é também mais suscetível à erosão e enormes crateras se abrem no acostamento, parecendo uma paisagem lunar. A faixa da estrada aqui é mantida, nitidamente, com aterramentos com outro tipo de terra, mais vermelha.

Nessa área passamos pela entrada da base aérea do Cachimbo, nos aproximando cada vez mais do Mato Grosso. Cruzamos a fronteira sonhando com o asfalto, mas ele não chegou tão cedo. Ao contrário, nessa área a poeira aumentou muito e pegamos tráfego pesado de caminhões de gado, caminhonetes, carros e motos. A mata tornou a desaparecer e as fazendas se estendiam até o horizonte.

Ouvimos um grito de “iuhu” no rádio com a chegada da parte asfaltada da estrada. Será que, com o asfalto, vai chegar também a governança? Chegamos em Guarantã do Norte. Mais uma vez, com o sol se pondo.

 







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