05.08.05 - Guarantã do Norte (MT)
Resultado parcial: Bandidos 1 x Ibama 0
Em junho de 2005 a Polícia Federal desencadeou uma grande operação de combate à corrupção no comércio de madeira no Mato Grosso, a Operação Curupira. Mais de 80 pessoas foram presas, entre madeireiros, funcionários do Ibama e da Fema (Fundação Estadual do Meio Ambiente). Foram acusados de falsificar, fraudar e comercializar ATPFs (Autorizações de Transporte de Produtos Florestais), os documentos necessários para transportar madeira.
Desde essa operação, todas as autorizações para a indústria madeireira no Mato Grosso foram suspensas. As autorizações para desmatamento também foram proibidas.
A operação Curupira mostrou toda a podridão existente nos bastidores da indústria madeireira. Também ajudou a esclarecer alguns mistérios do passado. Como o caso do incêndio criminoso do escritório do Ibama em Guarantã do Norte, ocorrido em novembro de 2004. Foi a nossa primeira parada, na documentação em foto e vídeo, realizada na sexta-feira. As paredes ainda estão de pé, mas o telhado, as vidraças e todo o interior foram completamente destruídos. Durante a Operação Curupira surgiram indícios ligando o incêndio à máfia da legalização da madeira.
Mais uma vez, voltamos a verificar a fragilidade do Ibama. O escritório hoje funciona em um barracão, nos fundos do prédio incendiado. Conta com apenas dois funcionários. Um está de férias.
Deve ser por isso que vimos vários caminhões carregando imensas toras de madeira, cruzando a cidade em plena luz do dia. Também pudemos constatar muita madeira nos pátios das serrarias.
Dali fomos visitar o bairro Cotrel, onde a cidade começou. Em uma parada para tomar um refrigerante, conversamos com um marceneiro. Ele disse que a cidade vem enfrentando forte crise. Não há madeira e o câmbio mantém baixos os preços da soja e do arroz, desestimulando a agricultura. Argumentamos ter visto os pátios das madeireiras cheias, mas ele disse que não, que antes da Operação Curupira havia muito mais. Se o que estamos vendo é a decadência, imagine essa indústria da devastação nos tempos do auge.
Para completar o dia, seguimos em direção ao Parque Estadual do Cristalino. Trata-se de uma área de conflito, bastante invadida por madeireiros e fazendeiros. Não havia tempo para chegar ao parque, mas queríamos dar uma olhada na estrada. Alguns quilômetros adiante paramos em um balneário. Mais um pouco de conversa com o proprietário e descobrimos de onde está vindo a madeira que abastece as serrarias: do parque!
Mais uma vez verificamos que uma maior presença do Estado, no caso com a Operação Curupira, foi fundamental para reduzir a devastação. O problema, de novo, é que não parece ser o suficiente. As ilegalidades continuam. E o escritório do Ibama, nessas condições, é simplesmente uma vergonha. Por hora, parece que os bandidos estão ganhando a partida. Incendiaram o escritório. E assim ele ficou. Bandidos: 1. Ibama: 0.