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Diário

08.08.05 - Feliz Natal (MT)

Não há mais nada vivo por aqui

Cinco jornalistas passam a acompanhar a expedição a partir de hoje. São do site O Eco, da agência de notícias Reuters e da TV Bandeirantes. Ficamos felizes: a presença deles deve ajudar a tornar a falta de governança na BR 163 mais conhecida - no Brasil e no mundo.

Para monitorar melhor o desmatamento na Amazônia, o governo federal desenvolveu no ano passado um sistema otimistamente chamado de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter). Imagens de satélites analisadas com freqüência dão, a técnicos do Ibama e outros órgãos, indicações de áreas onde o desmatamento está em curso. O objetivo é possibilitar a identificação das atividades de desmatamento em seu estágio inicial, permitindo ação rápida das autoridades.

À tarde fomos ver como está uma dessas áreas indicada pelo Deter em 2004, na estrada que une a cidade de Sinop a Feliz Natal, passando por Vera. Está totalmente destruída. Árvores, todas mortas, ainda estão de pé, mas há carvão e folhas secas por todo lado. O cenário é desolador. Depois da retirada de toda madeira de valor comercial, alguém ateou fogo na floresta degradada. O próximo passo será a derrubada do que restou com o “correntão”. Dois tratores em paralelo, a uma distância de cerca de 20 metros um do outro, são unidos por uma grossa corrente. Conforme se deslocam, a corrente derruba tudo o que existe pela frente. Os próximos estágios são agrupar o mato derrubado e atear fogo novamente. As cinzas são usadas para adubar o solo.

Chama a atenção a dificuldades em se chegar às áreas indicadas pelo Deter. É freqüente que o caminho de acesso a elas esteja bloqueado, como constatamos hoje. Dirigimos nossos carros durante toda a tarde para conseguir chegar a apenas uma área. O Deter apontou 312 áreas de desmatamentos ocorridos nessa região, em 2004.

Outro problema é identificar os responsáveis pelos desmatamentos, no caso de as áreas serem públicas. Atividade ilegal dificilmente tem “dono” à vista. No local aonde fomos não havia nenhuma pessoa, nada.

Se o objetivo do Ibama é bloquear o desmatamento em seus estágios iniciais, no caso dessa área não funcionou. Não há mais nada vivo por aqui.






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