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Diário
10.08.05 - Sinop (MT)

Ameaças

Hoje os jornalistas aproveitaram o dia para buscar diversificar suas reportagens, ouvindo os outros lados da questão. Foram ao sindicato da Indústria Madeireira e ao Sindicato dos Produtores Rurais.

Neste último, feitas as entrevistas com os diretores, câmera desligada, os jornalistas já se despediam quando chegou um homem visivelmente alterado, com expressão transtornada: “Vocês não sabem o que está acontecendo: o Greenpeace está aqui. Ontem eles foram em Cláudia, invadiram uma área nossa lá. Nós precisamos descobrir onde eles estão e acabar com eles, tacar fogo nas coisas deles”.

Ibama: “Há uma ausência do Estado nessa região”

À tarde, acompanhamos os jornalistas até a gerência do Ibama em Sinop. O escritório conta, hoje, com apenas 5 fiscais e 14 analistas ambientais. Dez funcionários estão afastados, sob investigação pelo suposto envolvimento com ilegalidades, apontadas pela Operação Curupira da Polícia Federal. A gerência tem jurisdição sobre uma área maior que todo o estado do Paraná.

Apresentamos ao Ibama as coordenadas geográficas da área de castanhais desmatada que havíamos documentado. Apontamos ainda outros locais de desmatamento e corte ilegal de árvores na área proposta para a criação do Parque Estadual das Castanheiras. O gerente regional José Geraldo Araújo garantiu o envio imediato de uma equipe de fiscalização ao local.

Araújo foi muito franco nas respostas às perguntas dos jornalistas. Ele atribuiu a ocorrência generalizada de ilegalidades na região à pequena presença do Estado na Amazônia Legal. “Não apenas do Ibama, mas também de outros órgãos, como a PF e a Justiça Federal”.

“Nós estamos visitando as áreas de desmatamento recente. Como são muitas, estamos privilegiando aquelas com mais de 300 hectares. Mas não temos como visitar tudo”, disse Araújo. Outra preocupação do órgão é com as queimadas, proibidas desde 15 de julho devido à estiagem, mas que continuam ocorrendo 24 horas por dia. “Nós estamos autuando os produtores que insistem em queimar a mata já derrubada”. Com a ausência de chuvas no mês de agosto, essas queimadas frequentemente se alastram para áreas de floresta, se transformando em incêndios florestais.

Para ele, o anúncio do asfaltamento do trecho paraense da BR-163 trouxe mais dificuldades para o órgão na região. “O anúncio levou a uma valorização das terras nas proximidades da estrada e também à abertura de novas áreas para a agricultura e o agronegócio”, disse.

Quanto à atividade madeireira, Araújo afirmou que a indústria está trabalhando com menos intensidade, desde a Operação Curupira. A operação identificou 141 empresas com práticas ilegais na área de abrangência da gerência. Desde 8 de julho a atividade voltou a ser permitida, mas apenas para as empresas com a situação regularizada. Para ele, a Fema (Fundação Estadual de Meio Ambiente), órgão do Mato Grosso, responsável por conceder as licenças de operação para as madeireiras, estava sendo complacente com as empresas sem licença. A Fema foi fechada depois da operação Curupira pelo governo do Estado. Araújo informou também que a prioridade do Ibama, no momento, são os desmatamentos. “Como a nossa equipe é reduzida, não estamos fiscalizando os pátios das madeireiras agora”.





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