11.08.05 - Sinop (MT)
Ausência do Estado é que causa desemprego e miséria
Os repórteres que acompanham a expedição entrevistaram, na periferia de Sinop, a gari Marisa Cruz. A funcionária municipal vive em um casebre de dois cômodos e é, hoje, a única responsável pela manutenção de uma família de oito pessoas. Seu marido e o filho estão desempregados, devido à crise que se instalou na região depois da interrupção dos trabalhos de mais de uma centena de madeireiras pela Operação Curupira.
Será que a solução dos problemas ambientais precisa passar pela piora na qualidade de vida da população carente?
Antes de responder a essa pergunta, vale a pena fazer um exercício de imaginar o futuro. Da maneira como as madeireiras vinham operando, as árvores comercialmente viáveis estariam esgotadas na região em poucos anos. Como ocorreu em vários outros pólos madeireiros, assim que a matéria-prima de valor comercial acaba, as empresas se mudam para onde ainda tem madeira. Mas não levam junto os trabalhadores e suas famílias. Ou seja, a indústria deixa para trás apenas destruição e miséria. Qual seria então o destino da família de Marisa? Seria o mesmo de milhares de famílias de outras regiões onde esse processo já ocorreu. Portanto, sob esse prisma, o desemprego na família de Marisa era lamentavelmente apenas uma questão de tempo. Essa triste situação pode ser evitada se a atividade industrial madeireira for realmente sustentável nas áreas onde ela é permitida, se a floresta for manejada - ou seja, explorada de forma seletiva e com baixo impacto para que ela possa se regenerar e continuar a produzir madeira para a indústria.
Essa crise de Sinop é consequência do modelo equivocado de desenvolvimento que surgiu com a ausência do Estado na região. A maior parte da indústria madeireira não sabe trabalhar dentro da lei. Visa apenas a dilapidação do patrimônio natural, sem qualquer preocupação com o futuro. Se o Estado houvesse chegado antes, ordenado o acesso aos recursos e estimulado as práticas de manejo que garantissem a sustentabilidade das atividades no decorrer do tempo, dentro das normas legais, isso não aconteceria. Os empregos gerados poderiam durar para sempre e os empresários teriam seu investimento garantido. E dona Marisa não estaria tão angustiada.
Agora, quanto tempo vai levar para o Estado conseguir ordenar o acesso aos recursos florestais? O governo tem hoje capacidade para executar essa tarefa na região? Após a Operação Curupira, a situação mudará da ilegalidade para a legalidade?
Para o Greenpeace, o caminho para solucionar estes problemas passa pelo ordenamento no acesso aos recursos e maior presença do Estado na Amazônia. Governança já!