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Diário

27.07.05 - Manaus (AM) - Santarém (PA)

Na estrada

Do avião, no trajeto Manaus-Santarém, sobrevoamos a imensidão da floresta amazônica. Fico imaginando as milhões de espécies de animais e plantas vivendo sob o denso tapete verde estendido lá embaixo. É difícil acreditar que toda essa riqueza construída durante milhões de anos pela natureza corre o risco de desaparecer completamente. Mas parece ser esse o caso.

Nos próximos 25 dias, uma equipe do Greenpeace vai percorrer os mais de 1.700 quilômetros da rodovia BR-163, entre Santarém (PA) e Cuiabá (MT). Há cerca de dois anos, o governo federal anunciou sua intenção de pavimentar o trecho paraense da BR-163, de quase mil quilômetros. O simples anúncio foi suficiente para estimular um processo de especulação com terras públicas na região. A ausência e precariedade das instituições de governo na área aceleraram a devastação ambiental, acompanhando uma intensificação da violência, com crimes de pistolagem e mortes de aluguel. Na vanguarda da destruição estão grileiros, madeireiros, pecuaristas e produtores de soja.

Por todos esses motivos, o Greenpeace não é bem-vindo por aqui. Sabemos dos riscos envolvidos e tomamos o cuidado necessário para cruzar uma das áreas mais ameaçadas e violentas da Amazônia. Mas, ao mesmo tempo, estamos tranquilos pois sabemos que proteger a maior floresta tropical do mundo não é importante apenas para nós, mas também para as futuras gerações.

Nosso objetivo na Amazônia é contribuir para a discussão e adoção de um novo modelo de desenvolvimento que combine proteção ambiental e melhor qualidade de vida para os mais de 20 milhões de pessoas que vivem na região.

Apesar da ansiedade de começar logo, o ambiente na equipe é muito bom. E eu espero que vocês acompanhem nossa jornada através da área de influência da BR-163 nas próximas semanas.







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