31.07.05 - Itaituba (PA)
A riqueza da Amazônia está na floresta em pé!
Hoje fomos até o local onde o Grupo Amaggi, maior produtor individual de soja do mundo, pretende construir um terminal graneleiro em Itaituba, ao lado do porto de Miritituba. Segundo informações do Ibama, a prefeitura da cidade cedeu o terreno para o empreendimento.
O proprietário da empresa, Blairo Maggi, é também governador de Mato Grosso. Este ano, ele foi escolhido para receber o Prêmio Motosserra de Ouro, outorgado ao maior dos reponsáveis pelo desmatamento na Amazônia, por meio de uma votação no site do Greenpeace. Maggi recebeu mais de 10 mil votos.
Além disso, o Grupo Amaggi lidera o consórcio de empresas que pretende financiar a pavimentação da BR-163. A estrada deverá ser asfaltada apenas com recursos privados, pois o governo federal a retirou da lista de obras para PPP (Parcerias Público-Privadas).
Os planos de Maggi vêm provocando uma cisão entre os partidários do asfaltamento da estrada. Isso porque o empresário quer pavimentar a estrada apenas até Itaituiba, para beneficiar o seu porto e, de quebra, prejudicar a concorrente Cargill. Os líderes do consórcio alegam que o custo do asfaltamento até Santarém, estimado em R$ 1 bilhão, seria excessivo. Nesse caso, os habitantes de Santarém ainda teriam de percorrer 360 km de terra para chegar até o asfalto.
A posição do consórcio gerou um impasse. O governo federal já avisou que só aceita a pavimentação completa, de todos os 997 km da BR-163 que cortam o Pará.
De uma maneira ou de outra, a construção do porto da Amaggi aqui pode trazer sérios impactos ambientais, a exemplo do que ocorreu depois da chegada da Cargill a Santarém, há alguns anos. Dá pra imaginar essa floresta dando lugar a imensos campos de soja? Não se pudermos evitar. O Greenpeace está atento.