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title: "#GuardiõesDaFloresta"
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- [Relatório Anual 2019](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019)
- [Mensagem do Diretor Executivo](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/mensagem-do-diretor)
- O que fizemos em 2019 
    - [#SemFlorestaSemVida](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/sem-floresta-sem-vida)
    - [#TodosPelaAmazônia](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/todos-pela-amazonia)
    - [#GuardiõesDaFloresta](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/guardioes-da-floresta)
    - [#ProtejaOCerrado](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/proteja-o-cerrado)
    - [#SOSBrumadinho](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/sos-brumadinho)
    - [#DefendaOsCorais](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/defenda-os-corais)
    - [#ChegaDeAgrotóxicos](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/chega-de-agrotoxicos)
    - [#ÓleoNoNordeste](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/oleo-no-nordeste)
    - [#NossoPartidoÉAFloresta](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/nosso-partido-e-a-floresta)
    - [#IssoÉAtivismo](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/isso-e-ativismo)
- [Dia de doar](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/dia-de-doar)
- [Governança](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/governanca)
- [Organizacional](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/organizacional)
- [Prestando contas](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/transparencia)
- [Greenpeace na mídia](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/greenpeace-na-midia)
- [Mobilização online](https://www.greenpeace.org.br/relatorio-anual-2019/mobilizacao-online)
- [Relatório em PDF](https://storage.googleapis.com/planet4-brasil-stateless/2020/08/46eede9f-greenpeace-relatorio-anual-2019.pdf)

# #GuardiõesDaFloresta

Povos indígenas: é preciso proteger os protetores

Mobilização e resistência são os termos que melhor definem o ano de 2019 em relação aos povos indígenas. Não à toa, foi um período de acirramento da disputa pela terra e de ofensivas sobre os direitos dos povos originários. Crimes como grilagem, roubo de madeira e até a venda de lotes dentro de terras indígenas homologadas dispararam e, consequentemente, a violência, resultando na morte de várias lideranças locais. O propósito é bastante claro: disponibilizar as áreas protegidas e os bens comuns nelas existentes – água, biodiversidade, madeira, minérios etc. – para a expansão da fronteira agropecuária e o mercado de *commodities*.

O Greenpeace mais uma vez esteve ao lado dos povos indígenas, seja por meio de ações próprias ou atividades em conjunto com outras organizações, como protestos e mobilizações, oficinas de capacitação técnica nos territórios, e articulação política em defesa dos seus direitos originários.

**+ de 1 milhão** de assinaturas foram reunidas no abaixo-assinado internacional ***Sem Floresta, Sem Vida*** que lançamos em 21 de março, Dia Internacional das Florestas. A proposta é entregá-la ao governo brasileiro para explicitar que todos queremos a Amazônia em pé.

#### Juntos no Acampamento Terra Livre (ATL)

O Greenpeace foi um dos parceiros envolvidos na realização da maior mobilização indígena nacional, em Brasília, que, em 2019, aconteceu entre 24 e 26 de abril e contou com a presença de quatro mil indígenas de 170 povos das cinco regiões do país.

Enquanto nosso time de comunicação apoiou a produção de conteúdo, incluindo a cobertura audiovisual e o atendimento à imprensa nacional e internacional durante a mobilização, o nosso time de operações deu suporte à realização de uma grande manifestação pacífica: o clamor por “Justiça”, feito com 1.600 lâmpadas de LED colocadas em frente à Praça dos Três Poderes, que deu origem a esta imagem que rodou o mundo:

© Leo Otero / MNI

© Christian Braga / MNI

Uma semana antes do ATL, nossos voluntários organizaram em 20 cidades brasileiras uma **mobilização em solidariedade aos povos indígenas**, composta de palestras, exposições fotográficas, rodas de conversa e coleta de assinaturas para o abaixo-assinado “*Sem Floresta, Sem Vida*”.

Em paralelo, ativistas em **11 países ao redor do mundo, como Argentina, Alemanha, Holanda e Estados Unidos, protestaram em frente às embaixadas brasileiras**, segurando fotos de indígenas de Rondônia e mensagens como “Apoie os Guardiões da Amazônia”.

![soninha_christianbraga_mni](https://www.greenpeace.org.br/hubfs/RelatorioAnual2019/soninha_christianbraga_mni.jpg "soninha_christianbraga_mni")

© Christian Braga / MNI

Registrada durante o ATL, a foto da coordenadora da Apib, Sônia Guajajara, se tornou não apenas o símbolo da luta, mas da força da mulher indígena. *“Fico feliz em ver que essa foto tem sido usada amplamente nos materiais sobre a mulher e a luta indígena. Elas são o exemplo de como é viver lutando, sem baixar a cabeça, mesmo sentindo dor, raiva e tristeza pelo que ainda acontece com seus povos”*, diz o fotógrafo **Christian Braga**, que fez a cobertura do ATL pelo Greenpeace.

![christian-braga](https://www.greenpeace.org.br/hs-fs/hubfs/RelatorioAnual2019/christian-braga.png?width=150&height=150&name=christian-braga.png "christian-braga")

#### A força das mulheres por seus direitos

Pode-se dizer que em 2019 a luta pelos direitos se tornou ainda mais feminina. Além do ATL, o Greenpeace também apoiou e esteve presente em outro evento protagonizado por elas: a **1ª Marcha das Mulheres Indígenas**, realizada entre os dias 9 e 14 de agosto, na capital federal, que reuniu 1.500 participantes. Com o lema “Território: nosso corpo, nosso espírito”, o evento antecipou a **6ª edição da Marcha das Margaridas**, que reuniu camponesas, quilombolas, ribeirinhas, pescadoras, sem-terra e mulheres de diversas outras comunidades tradicionais, além das indígenas, de todo o país em uma gigantesca manifestação em defesa de seus direitos.

© Douglas Freitas

© Matheus Alves

© Mariana Freitas

© Mariana Freitas

© Leo Otero

© Kamikia Kisedje

© Adriano Machado / MNI

© Christian Braga / MNI

![icone-voce-viu](https://www.greenpeace.org.br/hs-fs/hubfs/icone-voce-viu.png?width=216&height=67&name=icone-voce-viu.png "icone-voce-viu")

#### Mulheres indígenas e o clima

Em junho , 44 mulheres indígenas de cinco povos do Maranhão (Krikati, Awá, Gavião, Ka´apor e Guajajara), um do Pará (Tembé), um do Tocantins (Krahô) e um de Roraima (Macuxi) se reuniram em Carolina (MA) para a realização da oficina ***Mulheres Indígenas e o Impacto das Mudanças Climáticas***. Elas se debruçaram sobre temas ainda não muito conhecidos, como desenvolvimento econômico, globalização e economia verde, no contexto do aquecimento global.

*“Nós, mulheres, somos as primeiras a sentir e observar os impactos e as mudanças do clima no nosso cotidiano, porque temos uma relação especial com a natureza e o território. Somos nós também que guardamos as sementes e passamos este e outros conhecimentos para as novas gerações, inclusive os diferentes modos de fazer a proteção territorial.”* **Edilena Krikati**, conselheira da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab)

![edilena](https://www.greenpeace.org.br/hs-fs/hubfs/edilena.png?width=150&height=150&name=edilena.png "edilena")

#### Todos os Olhos na Amazônia

Para além da mobilização, a defesa dos territórios indígenas também contou com diversas oficinas de capacitação técnica e de articulação política entre os povos, coordenadas pelo projeto ***Todos os Olhos na Amazônia***. Esta iniciativa em rede formada pelo Greenpeace, com diversas outras organizações locais e nacionais, é financiada pela loteria holandesa e tem atuação também no Peru e no Equador. No Brasil, acompanhe as atividades realizadas nos três territórios em que o projeto atua:

#### Terra Indígena Karipuna

Localizado em Rondônia, o território é o que apresentava o maior aumento de desmatamento nas áreas protegidas do Estado, chegando a 11 mil hectares destruídos. Em abril, lideranças de 18 etnias manifestaram solidariedade aos Karipuna durante o ***[I Encontro de Povos](https://www.greenpeace.org/brasil/blog/povos-indigenas-de-rondonia-se-comprometem-com-protecao-do-territorio-karipuna/) [Indígenas](https://www.greenpeace.org/brasil/blog/povos-indigenas-de-rondonia-se-comprometem-com-protecao-do-territorio-karipuna/) [de Rondônia](https://www.greenpeace.org/brasil/blog/povos-indigenas-de-rondonia-se-comprometem-com-protecao-do-territorio-karipuna/)***, ao qual estivemos presentes.

![resistencia_](https://www.greenpeace.org.br/hubfs/RelatorioAnual2019/resistencia_.jpg "resistencia_")

© Fernanda Ligabue / Greenpeace

As ameaças, a grilagem, o roubo de madeira e até mesmo a venda de lotes dentro da terra, homologada desde 1998, foram as principais motivações para que os Karipuna fizessem diversas denúncias dentro e fora do país, como em reuniões da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque e Genebra, em protesto em Berlim e durante o ***[Sínodo da Amazônia](https://www.greenpeace.org/brasil/blog/no-vaticano-indigenas-denunciam-violacoes-de-direitos-e-invasoes-de-terras/)***, no Vaticano. A repercussão de tantas denúncias e os dados levantados pelo Greenpeace durante sobrevoos e imagens por satélites resultaram em operações de fiscalização e apreensão da Polícia Federal. Como consequência, em novembro de 2019, foi divulgada a diminuição de 25,3% no desmatamento registrado na TI Karipuna em relação ao ano anterior.

“Nossa participação no ***Sínodo da Amazônia*** é mais uma oportunidade de gritarmos ao mundo que a Constituição Federal e os direitos dos povos originários do Brasil precisam ser respeitados. É a vida de todo o planeta que está ameaçada e as pessoas precisam entender isso, antes que seja tarde demais.” **Adriano Karipuna**, liderança de seu povo.

![adriano](https://www.greenpeace.org.br/hs-fs/hubfs/adriano.png?width=150&height=150&name=adriano.png "adriano")

#### Mosaico Maranhense

O Maranhão é composto por diversas terras indígenas que também vêm enfrentando conflitos e invasões em seus territórios. Por isso, em julho e outubro, foram realizadas duas **oficinas de monitoramento ambiental** com os grupos de “Guardiões da Floresta” das oito terras indígenas em que o projeto atua. Os indígenas são capacitados a fortalecer o trabalho de monitoramento que já realizam, com o **uso de tecnologias como GPS, câmeras e aplicativos digitais, técnicas de cartografia e navegação, além de articulação política**. Organizadas pelo Greenpeace em parceria com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e o Instituto Makarapy, elas contaram com a participação de mais de 60 lideranças e foram realizadas nas terras indígenas Awá e Governador, respectivamente.

#### **Imagens como prova**

Já no início de agosto, outra formação audiovisual contou com a presença de 50 Guardiões, para que imagens de vídeo de violações de direitos possam ser utilizadas como prova jurídica. As atividades de monitoramento são necessárias pela extrema violência e tensão que existe na região. Um total de 42 Guajajara foram assassinados entre 2000 e 2018; sendo que nos últimos dez anos ocorreram 12 assassinatos somente da TI Arariboia. Infelizmente, no dia 1º de novembro, o guardião Paulo Paulino Guajajara, que participou das duas oficinas de monitoramento territorial, foi assassinado dentro de sua própria terra – Arariboia –, na região de Bom Jesus das Selvas. Outro guardião, Laércio Guajajara, foi baleado durante este atentado. A enorme repercussão que este assassinato teve, com ***[a colaboração do Greenpeace em denunciá-lo](https://www.greenpeace.org/brasil/blog/nota-de-pesar-pelo-assassinato-de-mais-um-guardiao-guajajara/)*** tanto no Brasil como internacionalmente, fez com que o Estado brasileiro se comprometesse a investigar e punir os responsáveis.

![GP0STU5U8_](https://www.greenpeace.org.br/hubfs/RelatorioAnual2019/GP0STU5U8_.jpg "GP0STU5U8_")

© Patrick Raynaud

#### PAE Lago Grande

Nos 252 mil hectares do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Lago Grande, na região de Santarém (PA), vivem 144 comunidades extrativistas, ribeirinhas e indígenas. Nos dias 15 e 16 de novembro, mais de 1.300 jovens das três regiões do PAE (Arapiuns, Arapixuna e Lago Grande) realizaram a ***[I Romaria do Bem Viver](https://www.greenpeace.org/brasil/blog/em-defesa-do-bem-viver-jovens-realizam-romaria-em-santarem/)***, que promoveu um amplo debate entre os comunitários sobre a necessidade de proteger o território e o modo de vida tradicional dos que ali vivem secularmente. A Romaria foi organizada pela Pastoral da Juventude com diversas organizações locais e o Greenpeace.

Um grupo de 20 jovens fez o registro do evento em fotos e vídeos. Eles participaram de um conjunto de ***[oficinas políticas](https://www.greenpeace.org/brasil/blog/os-resistentes-jovens-do-pae-lago-grande/)*** que incluem duas formações em comunicação. Nestas, eles se apropriaram de conceitos teóricos e técnicas com o propósito de utilizar a comunicação como ferramenta para a luta em defesa da floresta e da vida em comunidade.

As visitas de campo na região também resultaram em estudos do nosso time de pesquisas sobre o PAE Lago Grande, como a *Análise da Paisagem com Foco no Uso e Cobertura da Terra* e o *Diagnóstico Socioambiental e Econômico*, que fornecem importantes subsídios para uma compreensão maior sobre a realidade deste território, tanto em relação aos impactos e ameaças como a aspectos bastante positivos sobre, por exemplo, o alto índice de preservação de florestas no PAE.

![arte-romaria-bem-viver](https://www.greenpeace.org.br/hubfs/RelatorioAnual2019/arte-romaria-bem-viver.jpg "arte-romaria-bem-viver")

Ilustração: Carlos Alves

“*Nós agradecemos de coração pelo que vocês têm feito pela juventude da nossa região, por acreditar na nossa luta, no nosso potencial e por estar sempre presente conosco nessa construção coletiva. Sabemos que o processo é lento, mas unidos conseguiremos defender nossa floresta e o modo de vida de nossos antepassados.*” **Ian de Sousa Tavares**, 19, da Aldeia Camará, um dos jovens envolvidos na organização da *I Romaria do Bem Viver*.

![ian](https://www.greenpeace.org.br/hs-fs/hubfs/ian.png?width=150&height=150&name=ian.png "ian")

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